Caminha com bigornas. Uma na cabeça e outra no peito. O ar é rarefeito, pesado. A graça desgraçada de pensar lhe tortura, hoje mais intensa do que os outros dias. Até chegar no seu ponto de ônibus, tem a sensação de que seu corpo despedaçará a cada passo e que não passará de uma mancha vermelha pelas calçadas. Checa umas 10 possibilidades de sobrevida... em todas elas há um previsível e eminente vazio existencial. Joaquim sente. Não mais dormente distraído pelo barulho externo. Joaquim sente. Se deparou no pesadelo que dizem ser coletivo, mas na real, é cada um por si, com seu próprio furacão umbigo. Joaquim sente. Senta na sarjeta e vislumbra um morte cômica, para que pelo menos assim, ele tenha algum orgulho de algo realizado e feito alguma coisa por alguém que não seja ele próprio: provocar umas boas gargalhadas.

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