Durante todo o caminho Joaquim pairava em pensamentos. A um tempo fora obrigado a ir ao analista, psicologo e afins pelo pai, para que ele "tomasse jeito" na vida. Inútil e ridículo, assim o rapaz achava. Em todas sessões permaneceu em silêncio, gargalhava internamente pelo tempo e dinheiro gasto naquilo. Naquela tarde rascunhava no caderno de desenhos, qualquer coisa dessas descabidas:
- Por hoje, não consigo escrever versos... sou céu, de sol pouco quente e chuvinha fina. Encolho-me fetalmente para vê se nasço... Noite, perturbei-me serenamente, a intensidade é outra... tem uma quenturinha no peito sabe? Não queima ou arde, só esquenta... quando tripávamos, não sei se o absurdo foi dito ou apenas imaginado na hora... sentido. Só quero equilibrar-me na maré... amarar ou marar-me de vez... dúvidas...
Ana Mendes

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