O poste da frente de casa queimou. Aliais, da rua inteira, só minha casa que falta luz. Consigo enxerga as estrelas, em compensação a rua ficou mais escura, dizem que isso torna tudo mais perigoso. O escuro aparenta deixar as coisas ainda mais silenciosas também.
A beleza é perigosa, é dúbia? Ou a aparência de beleza que é?! Há quem deguste o aparente e não coma a essência, e a há quem saboreie mais a essência do que a aparência e quem coma, tanto
fazendo se é feio ou belo. Há quem crie um personagem e tenta se tornar ele custe o que custar. Há quem lê livros e quer torna todas suas lidas em vivências sentidas. A quem sente, só sente e num registra para além da memória, outros escrevem.
E eu aqui nesse quarto escuro, apenas iluminada por essa tela na minha cara que me cega e não me deixa vislumbrar as estrelas que há aqui. A luz me embaça a visão. No escuro de mim, vejo-me, a forma não sei, mas está sempre se redesenhando. Interessante como ter mudado de comodo me fez vislumbrar todas essa frases soltas e aleatórias que levam meus olhos até mim.
Está tudo trancado, mas ainda assim, sinto um brisa sobre minha pele, ela me chama ao sono, nina-me, reluto para registrar essa beleza singela. Foi divertido ter cuspido colorido ontem, pena não ter tido folhas para colorir, mas o chão ficou bonito. Já reparou nos desenhos das cuspidas? Escarradas, goipadas, espirros... observe. É de uma espontaneidade linda. Ah... a dispersão do sangue de quem morre esguichando sangue ao som de sinfonias, bela cena.
Ana Mendes

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