Chego em casa
Com o rosto do cansaço
E é um poema
Que me descansa:
Com o rosto do cansaço
E é um poema
Que me descansa:
É a vida batida do Gullar
Que minha pele descama
E me fala da clandestina esperança
Que minha pele descama
E me fala da clandestina esperança
Escrevo
Rasuro
Apago
Amasso
Rasgo..
A cabeça enjoada
Tonteia palavras
E o poema é o dia
Em retalhos:
Cheiro de sol
Chuva
Suor
E mormaço
Pego livros que não esgotarei a leitura
E caço a palavra que me pulsa
Colecionando palavras que por entre elas
Tenha amor conjugado
Permaneço a escrever
Para o poema não sumir
Em rascunhos
Ou em barulhos
Da minha cabeça-chocalho
Meu vocabulário minguado
Meu pensamento lerdo
Meus carinhos em gestos
Meus olhos atentos
Urdem a calma
Que quero.
Continuo sem saber
se o poema acaba.
Ana Mendes

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