Às vezes me bate
a estranha sensação
que não tenho rosto:
sendo só
um amontoado
de cartilagem
pele e osso
configurada
ao bel prazer
de outras bocas
narizes alheios
e por olhos ocos
onde me vejo
sou espaço líquido e vazio
delineada por instantes
quando atravessada
por transeuntes-poros
que me beijam em até-logos
olhos são
turvos espelhos
e quando me olhas
enxerga a ti mesmo
me deforma.
Ana Mendes

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