Quando se vive tanto tempo na merda, se acostuma com cheiro dela, passa a não incomodar mais. A dor é mais real que o amor, do que a felicidade, pois ela se mantém constante, tão nítida quanto uma topada, quanto queimadura de cigarro, quanto o caco de vidro atravessando o couro do pé, quanto um atropelamento, quanto minha gastrite e a dor de dente, quanto a ardência que o shampoo causa ao cair no meu olho, tão concreta quanto o tijolo que caiu no meu pé enquanto eu era criança e deixou meu dedão deformado, tão concreta quanto a fome... São tantos exemplos em nível macro que dá preguiça, um vez que ela é provocada e piorada por um punhado de pessoa$....
E o amor...
Esta necessidade fisiológica de foder, que é aprimorada pelo pensamento e a nomeia de amor, é tão bonita! E quando confundimos saudade com tesão, então, é um bagunça! O que seria a vida sem essa nossa capacidade de criação?! De significar, vulgo se iludir?! Acho extremamente necessário... afinal, precisamos nos manter entretidos nessa existência, então, que seja com essa invenção bonita de expandir para além do próprio umbigo sujo, e querer tão bem a alguém, para além de você mesmo, que chega a doer...
E talvez eu só esteja escrevendo isso para passar o tempo, já que não consegui dormir, sob a influência de Schopenhauer.
Ana Mendes

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