cotidiano de poemas
não registrados
de milagres suados
de corpos abafados
faço-me pausa as análises
permito-me ser sendo
um ente vivente
de olhos arregalados
no presente
leio poemas não escritos
pelas esquinas
das ruas de mijo:
poemas
de olhares furtivos
de beijos noturnos
tropeços, medos
cheiros, tragos
goles e quartos...
poemas curtos
de horas municipais
de felicidade clandestina
e seus amores de becos escuros e vielas
poemas inaudíveis
poemas inaudíveis
de olhares dilatados
ao contemplar-se
diante de outra íris...
ao contemplar-se
diante de outra íris...
Ana Mendes

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