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Ana Paula Mendes de Oliveira: Ana. Existe outra além dessa carapaça que vos fala e isso que enxergas! obs: sem compromisso com a gramática

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Excremento Humano

A brasa do cigarro estralando
preenche o silêncio
do nosso incomodo

a cara fria da moeda
não me responde
e talvez pague
o se come

o nosso lixo
não pode ser
visto:

os garis cantam
e catam com pressa
pela manhã cedo
e na noite tarde
enquanto nossos estômagos
dormem e adormecem

o nosso lixo
não pode ser
visto:

o papel higiênico
com resquícios de merda
o absorvente sangrento
a camisinha com porra fétida
os restos de vísceras
as embalagens plásticas e enlatadas
as sobras de comida
os cacos de vidro da festa

nosso chorume
atravessa a cidade
mares e peles
enquanto nossos estômagos
dormem e adormecem

e no aterro
escorrer em restos humanos
pelas mãos e canelas
dos que catam para comer
e por sorte repor algumas
vitaminas, proteínas
e carboidratos mastigados

são bastardos de deus
órfãos de pátria
de diretos humanos
de pão - alguém já escreveu sobre isso.

A miséria não repete o prato
permanece em pranto

as mãos que giram o carrossel do mundo
vivem sujas
e você aí com nojinho
de pisar no sargaço do mar
e limpar a própria boca-bunda.


Ana Mendes

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