Por vezes, esqueço que tu existe. Venho até aqui lembrar-me o quanto somos imensos... És um céu liquefeito na terra! Me causa descontrole, pois não enxergo meus pés quanto te adentro. Tuas bordas disformes, espumantes, poluídas, dissolvendo a terra sob meus pés, de início me expele; insisto com as pernas trêmulas e gastas, não te demoras a começar me sugar para dentro. Penso que boio, entretanto, subitamente arregalo as pupilas do susto ao perceber que não toco mais o chão arenoso. Engulo e engasgo-me do teu corpo fluído e salobro: me afogas, com um violento afago de maré cheia. Miro o céu sobre mim, escuro, turvo em nuvens e água, estrelado, como se fosse um espelho adimensional refletindo meus olhos aquosos que cintilam seus últimos suspiros refratários...
31/01/15
Ana Mendes
https://www.youtube.com/watch?v=W2WsPN-rr9o

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