Observo minha silhueta no espelho enquanto a brase queima. Já não temo mais os escuros e os seus silêncios, o cigarro estrala... deixo-me cair no abismo do outro de mim... esse diante do espelho que não enxerga o machucado do queixo... algo pinga nos pés, talvez seja a lembrança de algum beijo querendo subir a cabeça... Engulo a fumaça e o seu gosto não arde mais. Gosto das intoxicações, não adoeço mais... sadio feito um cadáver que ainda resiste e sádico tal qual inocência infante que brinca, sobrevivo a mais um dia, pulso mais um instante, poetizo a decomposição de respirar...
Ana Mendes

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