O chão da minha casa afundou. O chão é chão e por vezes pode ser móvel. Até ele tem o direito de mover-se também. Não para os lados necessariamente, para mais fundo... O chão da minha casa era sobre um cacimbão ou fossa, não sei, estou descobrindo pelo cheiro... Se caio talvez descobro que tem dentro. Certamente há umidade... o bom de ser aquoso é poder ser solvente para infinidades substâncias. Será que há húmus?! Jogar umas sementes para vê se nasce... O chão da minha casa, o que ainda sobrou, está quebradiço que só... droga nem lavei a louça! Agora a casa toda pode cair e deixei a louça lá... inutilmente pensante agora.
Quando sua casa tem a possibilidade de afundar, o que levar com você? Além das lembranças, catei os livros emprestados, os preferidos, o necessário, uns poemas, folhas A3, giz de cera, tinta guache, umas roupas sujas, as últimas limpas e a cara e a coragem.
Precisamos aterrar o buraco que há no chão ou pelo menos colori-lo. Ou não mais pisar...
Ana Mendes

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