Tão aperrado do juízo que Joaquim não consegue, nem se quer, ler poemas. Desconhece o próprio rosto no espelho. Não lembra-se nem do deslisar das pontas do dedos dela em suas costas. Não escreve mais... Só queria voltar para casa de Vó, tomar café com leite e bolacha assada, se balançar na cadeira de balanço e no final descobrir que só existe aqui, nessas linhas tortas e que sua voz é apenas o tecle-tecle do teclado.
Se descobrir sendo apenas um impulso elétrico em outra cabeça ainda mais doente do que a dele próprio. E se sentir livre, sossegado e limpo do cu do mundo. Suspiros... Quis chorar, não conseguiu. Sentiu bem o ardido da brasa de cigarro cair no dedão do pé e sentiu a cantiga de sua cueca mijada. Se levanta, caminha até o banheiro, olha bem para figura do espelho e começa a pensar tudo de velho de novo.

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