Eu tinha um medo dela que cortava-me os olhos. Não me demorava a admirá-los. Lembro-me da noite de vinho e espaguete improvisado, quando bêbado mirei o teto (mesmo ela estando ao meu lado) e disse "gosto de tu", foram as palavras mais palpáveis da minha invenção de está apaixonado. Hoje a indiferença me assusta e remorsos me enojam. Queria poder lhe falar que experimentei chá de hortelã, e é tão cheiroso! Como seria o beijo com esse sabor?! Parece que tu não existe mais... parece que nunca existiu. No hoje minha indiferença assusta: de sorriso amarelo, um xauzin agitando os dedos e minha face apática acena para teu rosto sem graça. Talvez eu esteja ocultando a ira e a frustração, tapando um buraco com outro e brincando de ser vaidoso inflamando o ego a cada moça interessada nessa carcaça que caminha por aí com um cigarro nos beiços com um ar boçal, é... deve ser a altivez das sobrancelhas... mal sabem que é pura defesa da cretinice de cada dia. A escrita parece meia saudade, mas é espanto.
Ana Mendes

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