Às vezes me desembesto a escrever poemas por entre diálogos e me escondo a cada linha escrita. A Beleza inventada e a Ternura criada existem ali entre o não toque e o não olhar dos olhos. Meus olhos tem uma camada fina de remela que chamo de medo. Percebo as palavras ganharem vida aqui nesse papel virtual e extraírem meu curto fôlego. Gosto de me procurar aqui e de como as palavras me desmascaram.
"Engraçado" era não saber que elas estavam todas aqui, no sangue que meu coração bomba e nesse fluir das veias junto com as hemácias, leucócitos, plaquetas e plasma. Agora mesmo, sinto alguma palavra engasgada em algum do átrios: invenção! A poesia precisa de profundidades, silêncios e solidões, pois ela é uma mulher abissal e invasiva na sua delicadeza brutal, quando menos espero seus tentáculos me afagam as costas, puxa-me pela nuca sussurrando obscenidades cruéis, como a fome, a violência, a corrupção e tantas outras. A poesia me enraba a consciência!
Sinto e vejo meus átomos se desprenderam do meu corpo, perco palavras... e isso dói!
Uma dias desses torci a palavra tornozelo e quase não danço novamente. Nunca sei como começa e terminar o texto, talvez nunca terminará! Olho o meu rosto de menina que me olha de volta o menino que sou e brinco com as aparências que me dão... eu não caibo em vocês!
Ana Mendes

Nenhum comentário:
Postar um comentário