Por entre galhos de árvores o pôr-do-sol me brecha e uma brisa fria me aconchega nesse fim de tarde. A Náusea do Sartre me distraí e me fala de um bairro, em alguma cidadezinha da França, que lembra-me a Ribeira natalense: abandono,"feiura" e ausências.
Espero a hora do jantar do restaurante universitário, será minha primeira refeição do dia, enquanto isso, mastigo palavras. Por coincidência, ouço diálogos em sotaque nordestino misturado com francês, quase pergunto ao rapaz como se pronunciava as ruas que estavam descritas no livro. Todos em volta, assim como eu, esperam pelas 17 horas para saciar a fome que nos come. A paciência já impaciente, bate os pés sobre o chão, agita as pernas, rói as unhas: a fome não tem bons modos, pois não é adestrada, ela pulsa, uiva!
O sol continuou indo... vez ou outra encandeava-me os olhos.
Ana Mendes

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