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Ana Paula Mendes de Oliveira: Ana. Existe outra além dessa carapaça que vos fala e isso que enxergas! obs: sem compromisso com a gramática

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sábado, 5 de dezembro de 2015

Narcisa

Meus olhos eram espelhos para tua vaidade
Bebi de tuas profundidades
E me perdi
No abissal do teu ventre

Caminho por entre
Silêncios e  escuros
Tateando absurdos
Arquejando outro
Poema Estúpido

No umbigo ecoa uma voz grave
Que dissimula carinho e bondade
Bombardeia meu juízo
Ao mostrar o outro lado da face:

A feiura de Narciso
Me sorrindo um riso cariado
Balbuciando que aquele também
É meu outro lado...
Não pude negar
Que me via
No reflexo de seu olho vazado.

Amanho a flor de umbigo
Que debilitada me diz:
Corte tomates, não os dedos...
Suas palavras enrustiram
A fissura do peito
Onde escrevo palavrões
Que abafam erros

Enquanto isso
A selvageria acena
Um riso sem dentes
Me beija os lábios
em sonho-pesadelo...



Ana Mendes

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