Sempre que resisto
Sou arrastada, esfolada, pisoteada
Espancada pelo punho do padastro Capital
Sou arrastada, esfolada, pisoteada
Espancada pelo punho do padastro Capital
Personificado na insignia da farda
Que sussurra em cassetetes e coronhadas:
Recue!
Desista!
Que sussurra em cassetetes e coronhadas:
Recue!
Desista!
Os omissos se preenchem com mais um cheque
Os desesperados com crack
Ou esvazia a cabeça com cleck!
Os desesperados com crack
Ou esvazia a cabeça com cleck!
Afogam-me na lama
Me bombardeiam no oriente
Às vezes, caminho com um fuzil
Que pesa mais que meu corpo
Me bombardeiam no oriente
Às vezes, caminho com um fuzil
Que pesa mais que meu corpo
E a fome, minha companhia inseparável
Tem rosto franzido
Com passos de brita caminha
E sorrir ao prato de comida:
Quem dera
Pelo menos aqueles alimentos cancerígenos
Eu comesse...
Tem rosto franzido
Com passos de brita caminha
E sorrir ao prato de comida:
Quem dera
Pelo menos aqueles alimentos cancerígenos
Eu comesse...
E o meu algoz?
Assina e assassina
Com mais um cheque...
Aos meus sobram
Crack e cleck!
Assina e assassina
Com mais um cheque...
Aos meus sobram
Crack e cleck!
Minhas mãozinhas carregam pedras
Esculpem tijolos
E para me manter acordada
Masco coca
Cheiro loló
Esculpem tijolos
E para me manter acordada
Masco coca
Cheiro loló
Em muitos países e em regiões do Brasil
Caminho descalça sobre pedregulhos e chão ressecado
Com fome e sede
Desesperada...
Caminho descalça sobre pedregulhos e chão ressecado
Com fome e sede
Desesperada...
Também agonizo no concreto das metrópoles
Nos morros, nos becos,
Morando entre lixão e bueiros
Repouso pelas calçadas
E me esquento com a chama do esqueiro
Nos morros, nos becos,
Morando entre lixão e bueiros
Repouso pelas calçadas
E me esquento com a chama do esqueiro
Seja no chão rachado
Ou no asfalto
Ou naquele terreno
Em que meu corpo abandonaram
Ou no asfalto
Ou naquele terreno
Em que meu corpo abandonaram
A mídia madrasta
Ganhará mais um prêmio:
Sonegação de impostos e um cheque
Pelo registro fotográfico
Da minha carcaça esquelética
Ganhará mais um prêmio:
Sonegação de impostos e um cheque
Pelo registro fotográfico
Da minha carcaça esquelética
Apática, leiloa minha dor:
Vende a imagem da minha tragédia
Àqueles que lhe querem
Recortada, silenciosa e encoberta.
Vende a imagem da minha tragédia
Àqueles que lhe querem
Recortada, silenciosa e encoberta.
Quem eu sou?
Sou o sonho de Humanidade
Que vocês esquecem
E perseguem...
Sou o sonho de Humanidade
Que vocês esquecem
E perseguem...
Ana Mendes

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