Quem sou eu?

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Ana Paula Mendes de Oliveira: Ana. Existe outra além dessa carapaça que vos fala e isso que enxergas! obs: sem compromisso com a gramática

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domingo, 6 de dezembro de 2015

Quem eu sou?

Sempre que resisto
Sou arrastada, esfolada, pisoteada
Espancada pelo punho do padastro Capital
Personificado na insignia da farda
Que sussurra em cassetetes e coronhadas:
Recue!
Desista!
Os omissos se preenchem com mais um cheque
Os desesperados com crack
Ou esvazia a cabeça com cleck!
Afogam-me na lama
Me bombardeiam no oriente
Às vezes, caminho com um fuzil
Que pesa mais que meu corpo
E a fome, minha companhia inseparável
Tem rosto franzido
Com passos de brita caminha
E sorrir ao prato de comida:
Quem dera
Pelo menos aqueles alimentos cancerígenos
Eu comesse...
E o meu algoz?
Assina e assassina
Com mais um cheque...
Aos meus sobram
Crack e cleck!
Minhas mãozinhas carregam pedras
Esculpem tijolos
E para me manter acordada
Masco coca
Cheiro loló
Em muitos países e em regiões do Brasil
Caminho descalça sobre pedregulhos e chão ressecado
Com fome e sede
Desesperada...
Também agonizo no concreto das metrópoles
Nos morros, nos becos,
Morando entre lixão e bueiros
Repouso pelas calçadas
E me esquento com a chama do esqueiro
Seja no chão rachado
Ou no asfalto
Ou naquele terreno
Em que meu corpo abandonaram
A mídia madrasta
Ganhará mais um prêmio:
Sonegação de impostos e um cheque
Pelo registro fotográfico
Da minha carcaça esquelética
Apática, leiloa minha dor:
Vende a imagem da minha tragédia
Àqueles que lhe querem
Recortada, silenciosa e encoberta.
Quem eu sou?
Sou o sonho de Humanidade
Que vocês esquecem
E perseguem...

Ana Mendes

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