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Ana Paula Mendes de Oliveira: Ana. Existe outra além dessa carapaça que vos fala e isso que enxergas! obs: sem compromisso com a gramática

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domingo, 26 de abril de 2015

Da inspiração de estar sozinha

E eu que não gosto de escrever sobre amor
Porque não sei  o que porra é
Percebo-me toda amor
Isto é,
Percebo-me toda alguma coisa
que num sei


O som da noite é de silêncio e de bicho:
Cigarras, grilos, latidos, passos de estranhos e a minha respiração
O bom de morar aqui (em mim) 
É que os carros estão tão distantes
Que alucino som de mar

Sento no meio fio da casa da frente
E de frente a minha casa 
Contemplo sua simplicidade 
E a infinitude de céu 
que estira a língua-lua
para mim


Um gato de cor bege
Caminha em minha direção
Dá uma paradinha, me olha
Recomeça a caminhar
E se alisa na minha mão pendurada
que segura um cigarrin de palha...
tão ninja que que se alisa sem se queimar.

Ele senta-se ao meu lado
uma distancia de 5 palmos
e de costas para lua
olha a parede
ou sua sombra
não sei...

Somos invertidos;


Bicho
é livre 
na sua selvageria calma.

Olho novamente minha casa 
Que tem chão de buraco
Com olhos de despedida...

Entre um tragada e outra
percebo que tem amores
de um tempo de palha
que as vezes só acendem 
com sugada mais profundas...

São breves que deixam a gente
tonta sem saber onde está
o nosso umbigo. 

Termino o fumo
a digestão é rápida
cago um amor
de partida.

Cago
um amor (dor)
de barriga. 
E vomito
um enjoou 
de saudade...

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