E eu que não gosto de
escrever sobre amor
Porque não sei o que porra é
Percebo-me toda amor
Isto é,
Percebo-me toda alguma coisa
que num sei
O som da noite é de silêncio e de bicho:
Cigarras, grilos, latidos,
passos de estranhos e a minha respiração
O bom de morar aqui (em mim)
É que os carros estão tão distantes
Que alucino som de mar
Sento no meio fio da casa da
frente
E de frente a minha casa
Contemplo sua simplicidade
E a infinitude de céu
que estira a língua-lua
para mim
Um gato de cor bege
Caminha em minha direção
Dá uma paradinha, me olha
Recomeça a caminhar
E se alisa na minha mão pendurada
que segura um cigarrin de palha...
tão ninja que que se alisa sem se queimar.
Ele senta-se ao meu lado
uma distancia de 5 palmos
e de costas para lua
olha a parede
ou sua sombra
não sei...
Somos invertidos;
Bicho
é livre
na sua selvageria calma.
Olho novamente minha casa
Que tem
chão de buraco
Com olhos de despedida...
Entre um tragada e outra
percebo que tem amores
de um tempo de palha
que as vezes só acendem
com sugada mais profundas...
São breves que deixam a gente
tonta sem saber onde está
o nosso umbigo.
Termino o fumo
a digestão é rápida
cago um amor
de partida.
Cago
um amor (dor)
de barriga.
E vomito
um enjoou
de saudade...
um enjoou
de saudade...

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