A única certeza que tenho é a dúvida.
O sabor que carrego na língua é o da fome
Ela deixa tudo mais apetitoso
A única certeza que tenho é o passar das coisas
Sou fome, memória e movimento.
De aniversário me presentei com os gostos da infância:
E é triste perceber que é mais gostoso lembrar como era bom
Comer o kinder-ovo, montar o brinquedinho e dá vozes aqueles plásticos coloridos
O que era gostoso
Agora é tão doce que arripuna
Mas as bolinhas crocantes ainda são divertidas, só pelo barulho!
Lembro da sensação
Da tentativa de arrancar o dente de leite com a linha...
Nunca mais inventei de forçar tão bruscamente algo a sair de mim
Lembro quando andei de bicicleta pela primeira vez sem cair
Mesmo com um dos pneus furados!
Deve ter sido a primeira vez que achei que controlava alguma coisa
Do café com leite de Vó, sempre cheio de nata
Da bolacha assada
E dos germes nos pés...
Olho as cicatrizes das canelas
Relembro como foi cada uma
Sorrio um riso besta
De quem ainda é menina
E que num sabe de porra nenhuma!
E o que quero de presente?
Está presente
Aqui e agora
Olhando nos olhos do tempo diante do espelho
E me reconhecer na estranheza do meu outro
Ana Mendes
O sabor que carrego na língua é o da fome
Ela deixa tudo mais apetitoso
A única certeza que tenho é o passar das coisas
Sou fome, memória e movimento.
De aniversário me presentei com os gostos da infância:
E é triste perceber que é mais gostoso lembrar como era bom
Comer o kinder-ovo, montar o brinquedinho e dá vozes aqueles plásticos coloridos
O que era gostoso
Agora é tão doce que arripuna
Mas as bolinhas crocantes ainda são divertidas, só pelo barulho!
Lembro da sensação
Da tentativa de arrancar o dente de leite com a linha...
Nunca mais inventei de forçar tão bruscamente algo a sair de mim
Lembro quando andei de bicicleta pela primeira vez sem cair
Mesmo com um dos pneus furados!
Deve ter sido a primeira vez que achei que controlava alguma coisa
Do café com leite de Vó, sempre cheio de nata
Da bolacha assada
E dos germes nos pés...
Olho as cicatrizes das canelas
Relembro como foi cada uma
Sorrio um riso besta
De quem ainda é menina
E que num sabe de porra nenhuma!
E o que quero de presente?
Está presente
Aqui e agora
Olhando nos olhos do tempo diante do espelho
E me reconhecer na estranheza do meu outro
Ana Mendes

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