É a segunda vez essa semana que acordo e
tenho a sensação de que todo meu sono foi esgotado, a cabeça parece que
amanhece vazia e pesada. Preciso praticar mais a escrita (a minha parte
adestrada pensa), às vezes esqueço como se escreve algumas palavras, perco a
noção dos acentos, das pontuações... é um desafio, isto de tentar escrever
sentimento, o que se sente lá tem pausas longas ou curtas?! É fluxo! Teimoso,
quero captar o que não cabe nas palavras, muito menos no papel: penumbra, olhos
semicerrados, boca entreaberta, as pontas dos dentes, o gemido desesperado e o
sorriso do orgasmo. Tá bom! Tentei! Mas a imagem que meus olhos relembram é
mais bunita!
Aperto o play em Fela Kuti, que certamente
dará o ritmo e o sentido às próximas linhas. Até agora só comi uma barra de
cereal e água. Irei testar me alimentar bem, exercícios e não sei mais o quê,
para perceber a influência da alimentação e de como me sentirei no decorrer e
escorrer dos dias. "Criar beleza com a linguagem". Agora não lembro
quem disse isso ou se a frase é assim, mas o que se quis dizer permaneceu
vagando pela minha mente... acho que este texto está sendo o que fiz de mais
prazeroso e 'produtivo' nos últimos dias... aleatoriedade modo on: transas que
nos sacodem. Os começos são sempre mais gostosos. Acho engraçado o
"resultado" final que o caos pode causar (trocadilho de merda, eu
sei...) ou melhor, o sentido, que damos a confusão que vemos/lemos/fazemos. Ao
se identificar com que está exposto, o que lemos não passa diretamente pela
razão, aí sinto.
Gosto como a luz entra pelas brechas das
telhas e por entre as frestas da porta e das janelas, das sombras desformes nas
paredes vazias de cores, é bunito vê o lento do dia anoitecendo. Escureço.
Agora sou regido pelas guitarras distorcidas e dos guturais potiguares do
AK-47. Fome. Faltou energia. Perco o contato com o mundo. Escrevo. Acendo velas
para enxergar além da tela do notebook. Percebo o movimento do vento pelo
frêmito da chama da vela... suave. A máquina irá descarregar, volto ao deslize
do grafite no papel.
Já se passaram umas 4h sem energia,
fui até a rua da frente e pedi a mulher da lanchonete para recarregar a
máquina. Fique por lá por quase 2h, a tv estava ligada... faz quase um ano
que estou sem tv, não me faz falta... vez ou outra e bom relembrar da
superficialidade das informações papagaiadas por lá, digo, propagadas (haha).
obs: página arrancada do diário de Joaquim

Nenhum comentário:
Postar um comentário