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Ana Paula Mendes de Oliveira: Ana. Existe outra além dessa carapaça que vos fala e isso que enxergas! obs: sem compromisso com a gramática

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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Joaquim 01/11/2015

É a segunda vez essa semana que acordo e tenho a sensação de que todo meu sono foi esgotado, a cabeça parece que amanhece vazia e pesada. Preciso praticar mais a escrita (a minha parte adestrada pensa), às vezes esqueço como se escreve algumas palavras, perco a noção dos acentos, das pontuações... é um desafio, isto de tentar escrever sentimento, o que se sente lá tem pausas longas ou curtas?! É fluxo! Teimoso, quero captar o que não cabe nas palavras, muito menos no papel: penumbra, olhos semicerrados, boca entreaberta, as pontas dos dentes, o gemido desesperado e o sorriso do orgasmo. Tá bom! Tentei! Mas a imagem que meus olhos relembram é mais bunita! 

Aperto o play em Fela Kuti, que certamente dará o ritmo e o sentido às próximas linhas. Até agora só comi uma barra de cereal e água. Irei testar me alimentar bem, exercícios e não sei mais o quê, para perceber a influência da alimentação e de como me sentirei no decorrer e escorrer dos dias. "Criar beleza com a linguagem". Agora não lembro quem disse isso ou se a frase é assim, mas o que se quis dizer permaneceu vagando pela minha mente... acho que este texto está sendo o que fiz de mais prazeroso e 'produtivo' nos últimos dias... aleatoriedade modo on: transas que nos sacodem. Os começos são sempre mais gostosos. Acho engraçado o "resultado" final que o caos pode causar (trocadilho de merda, eu sei...) ou melhor, o sentido, que damos a confusão que vemos/lemos/fazemos. Ao se identificar com que está exposto, o que lemos não passa diretamente pela razão, aí sinto. 

Gosto como a luz entra pelas brechas das telhas e por entre as frestas da porta e das janelas, das sombras desformes nas paredes vazias de cores, é bunito vê o lento do dia anoitecendo. Escureço. Agora sou regido pelas guitarras distorcidas e dos guturais potiguares do AK-47. Fome. Faltou energia. Perco o contato com o mundo. Escrevo. Acendo velas para enxergar além da tela do notebook. Percebo o movimento do vento pelo frêmito da chama da vela... suave. A máquina irá descarregar, volto ao deslize do grafite no papel.

Já se passaram umas 4h sem energia, fui até a rua da frente e pedi a mulher da lanchonete para recarregar a máquina. Fique por lá por quase 2h, a tv estava ligada... faz quase um ano que estou sem tv, não me faz falta... vez ou outra e bom relembrar da superficialidade das informações papagaiadas por  lá, digo, propagadas (haha).


obs: página arrancada do diário de Joaquim





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