Sutilmente uma saudadezinha mordiscava meu
peito: tu. Não sei se lhe envio isso ou permaneço com o ar de
indiferente/distância que há entre nós, que é desnuda apenas enquanto somos
cama. Daqui já imagino você me espreitando pelo canto do
olho... "éoqueomi?" Refaço sensações: vela, chá, óleo,
vinho e a música do Absurdo, para recordar o ambiente daquele dia... (riso
sozinho e escondo-me nele para dizer). Acabei de descobrir que reminiscência
não tem verbo! Agora tem: reminiscer. Pronto! Continuo. Gosto de teu
gargalhar, de tuas veias expostas nas mãos e nos pés, dos pés... do teu olho
que me olha quando finjo distração, gosto do reflexo da luz no molhado dos teus
olhos, de uma pelezinha que sobra do lábio superior sobre teus dentes
quando tu rir, não sei descrever... do teu pescoço esguio, da nuca de coque, do
cabelo molhado, da força do teu quadril... gosto de teu rosto, que parece
sempre que acabou de acordar, da voz rouca, dos ossinhos expostos...
gosto.
obs: página arrancada e rasurada do diário do Joaquim.

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